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Esteroides anabolizantes androgênicos e seus efeitos colaterais: uma revisão crítico-científica

 Esteroides anabolizantes androgênicos e seus efeitos colaterais: uma revisão crítico-científica

RESUMO

 


Os esteroides anabolizantes androgênicos (EAA) são derivados sintéticos da testosterona utilizados inicialmente para fins terapêuticos. Atualmente, essas drogas estão sendo empregadas, de forma abusiva e indiscriminada, para melhoria da performance esportiva e para fins estéticos. Contudo, muitos usuários e alguns profissionais da área de saúde desconhecem ou não acreditam nos efeitos adversos dessas drogas. Neste estudo, objetiva-se verificar os possíveis efeitos colaterais do uso não terapêutico e indiscriminado dos EAA por meio de pesquisas científicas preferencialmente diretas. Foram revisadas fontes de literatura por intermédio das seguintes ferramentas de busca: PUBMED, SCIELO e BVS. Os resultados demonstraram que vários efeitos colaterais são causados pelo uso não terapêutico e abusivo dos EAA. Concluiu-se que alguns efeitos adversos parecem ser desconhecidos ou pouco evidenciados na literatura científica, devido, principalmente, à escassez de estudos randomizados controlados que utilizam dosagens suprafisiológicas de EAA em seres humanos.

 


 

INTRODUÇÃO



Os esteroides anabólicos androgênicos (EAA) são derivados sintéticos da testosterona utilizados para o tratamento/controle de diversas doenças (BASARIA; WAHLSTROM; DOBS, 2001; HARTGENS; KUIPERS, 2004). Inicialmente, seu uso terapêutico restringia-se basicamente ao tratamento de pacientes queimados, deprimidos, em recuperação de grandes cirurgias e também para restaurar ou restabelecer o peso corporal dos sobreviventes dos campos de concentração durante a 2ª guerra mundial (HARTGENS; KUIPERS, 2004; FERREIRA et al., 2007).

Atualmente, os EAA estão sendo empregados terapeuticamente no tratamento de diversas doenças, como AIDS, alguns tipos de anemia, cirrose hepática, alguns tipos de câncer, osteoporose, entre outras. Os pacientes com deficiências hormonais, queimaduras severas e disfunções que estão associadas, principalmente, ao catabolismo do tecido muscular esquelético também têm apresentado boas respostas com o uso dos EAA. (BHASIN et al., 1998; BASARIA; WAHLSTROM; DOBS, 2001; HARTGENS; KUIPERS, 2004; LANG et al., 2010).

Entretanto, os efeitos colaterais do uso de EAA podem ocorrer mesmo em dosagens terapêuticas, sendo que uma série de fatores poderá influenciar nos benefícios e riscos, tais como: quadro clínico do paciente, histórico familiar, o produto usado, sua dosagem e, por fim, sua via de administração (BHASIN et al., 1998). Contudo, a maioria dos efeitos colaterais advém do uso indiscriminado, abusivo e não terapêutico, sendo utilizado geralmente por indivíduos que objetivam melhorar a performance esportiva e estética, com dosagens que costumam ultrapassar a dosagem terapêutica em até 100 vezes (WU, 1997; HARTGENS; KUIPERS, 2004).

Apesar de os meios de comunicação publicarem quase que diariamente matérias sobre o assunto, muitos usuários desconhecem os possíveis efeitos colaterais dos EAA ou não acreditam nos efeitos adversos dessas drogas. Ressalta-se que existem poucos estudos randomizados controlados que utilizam dosagens suprafisiológicas de EAA em seres humanos e, por essa razão, algumas pesquisas, principalmente em estudos transversos, revelam resultados incongruentes (HARTGENS; KUIPERS, 2004).

Al-Falasi et al. (2008), ao analisarem o conhecimento e a prevalência do uso de EAA entre frequentadores de academias nos Emirados Árabes, notaram que 41% dos pesquisados acreditavam que os EAA causavam danos ao fígado, 41% ginecomastia, 29% déficit de crescimento e 20% câncer.

Santos, Rocha e Silva (2011) avaliaram o uso e conhecimento de EAA entre fisiculturistas brasileiros por meio de questionários cujos resultados demonstraram: 34,9% do total de sujeitos pesquisados consideravam os EAA drogas perigosas e 32,5% como medicamentos para ganho acelerado de massa muscular. Outro dado relevante dessa pesquisa é que somente 13% acreditavam que os EAA poderiam levar ao óbito.

Evans (1997), ao investigar o perfil de 100 usuários de EAA do sexo masculino, notou que cerca de 88% dos usuários apresentaram efeitos colaterais. Os mais citados foram: acne (54%), ginecomastia (34%) e estrias (34%). Em pesquisa sobre a autoadministração de EAA entre 500 usuários por meio de questionários, observou-se que quase 100% dos usuários apresentaram algum efeito colateral, tais como: atrofia testicular, acne, retenção hídrica, estrias, ginecomastia, entre outros (PARKINSON; EVANS, 2006).

Um estudo de revisão sobre uso de EAA no Brasil advertiu que a prevalência do uso de EAA variou entre 2,1% e 25,5%, conforme a característica da amostra e a região analisada. Outra informação interessante nessa pesquisa foi que a prevalência do uso de EAA foi maior entre os professores de Educação Física (25,5%) quando comparados a outros grupos, como outros profissionais e acadêmicos da área da saúde, adolescentes, homens e mulheres (ABRAHIN et al., 2011).

Abrahin et al. (2013) avaliaram a prevalência de uso e conhecimento sobre EAA em estudantes e professores de educação física que atuam em academias, os resultados demonstraram prevalência de uso estatisticamente significativa entre os estudantes e professores de educação física, revelando ainda prováveis desconhecimentos destes sobre alguns dos efeitos colaterais.

Nesse contexto, nota-se que muitos usuários, inclusive alguns profissionais da área de saúde, parecem desconhecer os efeitos colaterais dessas drogas. Dessa forma, o presente estudo objetiva verificar os possíveis efeitos colaterais do uso não terapêutico e indiscriminado dos EAA por meio de pesquisas científicas preferencialmente diretas.

 


 

EFEITOS COLATERAIS



Os efeitos colaterais dos EAA estão relacionados, principalmente, às suas propriedades androgênicas e tóxicas. Tais efeitos podem afetar vários órgãos e sistemas. A utilização de diversos EAA, inclusive outras drogas, como GH, insulina, efedrina, óleos localizados, entre outras, podem aumentar os riscos, em função da interação de diversas substâncias que podem potencializar os efeitos colaterais. Esses efeitos ainda podem ser somados a outros fatores, tais como: o tipo de EAA (via oral, injetável e adesivo transdérmico); a dosagem, que normalmente é dose-dependente; a idade, como no caso de adolescentes em que pode ocorrer fechamento prematuro das epífises; o sexo dos usuários; predisposição genética; e o uso prolongado (WU, 1997; HOFFHMAN; RATAMESS, 2006; FIGUEIREDO et al., 2011).

 


 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Inúmeros efeitos colaterais podem ser causados pelo uso não terapêutico, indiscriminado e abusivo de EAA. Ressalta-se, ainda, que os efeitos adversos podem afetar vários órgãos e sistemas. Alguns desses efeitos parecem ser desconhecidos ou pouco evidenciados na literatura, devido, principalmente, à dificuldade na obtenção de informações ou mesmo em virtude de negações dos usuários de EAA em participar de pesquisas. Além dessas limitações, normalmente usuários de EAA utilizam outras drogas, tais como: GH, insulina, estimulantes, óleos localizados, entre outras; logo, torna-se inconsistente a associação direta entre causa e efeito. Outra limitação é a escassez de estudos randomizados controlados que utilizam doses suprafisiológicas de EAA em seres humanos.

 

FONTE | SCIELO

 

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